sábado, 8 de maio de 2010

Okupar é Resistir


Originário da contra-cultura dos anos 60, o movimento squatter ganhou o mundo com seus ideais de solidariedade e afronta aos valores do sistema capitalista.

Por Adriano Belisário


Nas ruas de toda grande cidade, o abandono de imóveis contrasta com a grande massa de desalojados. Enquanto sem-tetos buscam abrigo pelas ruas, proprietários mantêm suas posses vazias com a esperança de vendê-las no futuro por um preço vantajoso. Geralmente ignorada pelo poder público, a especulação imobiliária não passa desapercebida pelos squatters. Nascido na contracultura européia dos anos 60, este movimento ocupa espaços urbanos ociosos para neles construir verdadeiros centros de resistência cultural.


Formado basicamente por anarquistas, punks, hippies e comunistas, o movimento squatter luta contra aquilo que os pesquisadores chamam de gentrificação. Trata-se de um processo de enobrecimento dos espaços urbanos, que ocorre principalmente em pontos centrais das cidades. A gentrificação ocasiona a remoção dos moradores de áreas consideradas degradadas em prol da recuperação econômica do local.

Por sua vez, os squatters promovem outro tipo de revitalização. Após limpar o prédio abandonado, eles instalam serviços básicos, através de “puxadinhos” de água, luz e gás. No entanto, a ocupação só é completa quando o local passa a ser sede de atividades culturais, como a instalação de bibliotecas, mostras de teatro e poesia e rádios clandestinas. Eis, então, um autêntico squat. A legalidade de seu funcionamento varia de acordo com a legislação do país. Enquanto em muitas regiões a prática é considerada ilegal, na Holanda, por exemplo, prédios abandonados por longos períodos podem ser ocupados sem problemas judiciais.


Os squatters também são conhecidos como okupas. Entre eles, o termo "ocupação" é grafado com K para diferenciar suas intervenções das outras, marcando o caráter políticos de seus atos. A letra remete ainda à cultura punk, que, ao lado do anarquismo, forneceu as diretrizes básicas do movimento squatter. As ocupações são feitas em regime de autogestão, sem chefes ou líderes. Para os squatters, a construção de um espaço alternativo baseado em princípios de solidariedade e respeito mútuo é uma forma de resistir ao pensamento capitalista, centrado nas noções de propriedade privada e na massificação cultural.


Para quem acredita que anarquia é sinônimo de bagunça, não faltam exemplos de organização squatter para provar o contrário. Em Londres, ficou famoso o caso do Squat 121 Center, que após 18 anos de existência foi desativado em 1999. Nele, entre outras atividades, os okupas realizavam ações de amparo à população pobre da cidade. Em relato à Revista Dynamite, Kuru, brasileiro ex-membro do squat inglês, afirma que o grupo era formado em grande maioria por revolucionários e pessoas ligadas à causa ecológica. “A gente ia aos lixos atrás dos supermercados e feiras. Pegávamos tudo o que eles não queriam mais. Era muita comida. Às vezes cozinhávamos para quase 100 pessoas”, conta.


Pesquisador da Universidade do Estado de Santa Catarina, Cleber Rudy estuda o movimento squatter e é autor de artigos sobre o tema. Em entrevista concedida ao site da Revista História da Biblioteca Nacional, Cleber comenta a atuação destes grupos no Brasil.


Revista História - Na década de 60, surgiu na Holanda o movimento Kraker, que possuía atuação bastante semelhante aos squatters. Qual a sua influência na construção dos squats?


Cleber Rudy: A política squatter é fundamentada no movimento punk-anarquista, compondo uma espécie de simbiose squatter-punk. A máxima holandesa dos anos 80, “um punk é um squatter e vice-versa”, ainda que de forma amena, é também seguida no Brasil. Neste sentido, apesar dos squatters brasileiro não agregarem os dispositivos de resistência (rádios clandestinas, revistas, livrarias, advogados especializados, etc) utilizados nas ocupações dos krakers, este movimento holandês tornou-se um forte referencial de luta para os ativistas nacionais. Por exemplo, em Curitiba, o squat Payoll mantinha uma distribuidora de livros e de outros produtos Kraakers, em homenagem ao movimento dos anarquistas sem-teto de Amsterdã.


RHBN – Os squatters surgiram no Brasil na década de 90. Antes disso, há registro de grupos que promoviam a ocupação sistemática de imóveis abandonados?



Cleber: Antes disso, o que se pode constatar são alternativas comunitárias que tinham como peculiaridade o perímetro rural, embasadas em princípios ecológicos ou esotéricos e envolvidas pela contracultura hippie. Todavia, os squatters voltaram-se para as áreas urbanas, optando por permanecer nas cidades e buscando soluções ali mesmo, já que eram compostos por punks (outro movimento urbano) motivados por perspectivas anarquistas. Eles buscavam saídas diante da especulação imobiliária, defendendo novas maneiras de pensar e agir como forma de resistência à organização capitalista da vida urbana, principalmente nos grandes centros.


RHBN – Quais os principais grupos ainda existentes no Brasil? Como suas atividades são vistas pela mídia e pelo poder público?


Cleber: Existem espaços que ainda resistem. Em Atibaia, interior de São Paulo, há a Casa Reciclada. Na periferia de Curitiba, temos a Kaazaa, um dos espaços mais antigos no Brasil, que já completou 13 anos de ocupação. Em Blumenau, há o Corcel Negro. Em Porto Alegre, a Kasa de Kultura. É muito raro a grande mídia dar cobertura a estes movimentos e à trajetória destas experiências. Isto praticamente só ocorre durante as ações de despejo. Todavia, os squatters possuem seus próprios dispositivos de comunicação e divulgação, como os zines, pequenos jornais feitos de forma artesanal e com uma tiragem reduzida. Eles intercambiam informações entre grupos nacionais e internacionais, relatando atividades e organizando encontros de confraternização entre okupas.


Como o movimento squatter se coloca na contra-mão do estabelecido ao desafiar interesses imobiliários e políticas urbanas, o poder público tende a se mostrar hostil a tais iniciativas, não vendo distinções entre espaços ocupados com finalidade de atuarem como centros culturais e lugares usados como refúgio para uso de drogas e depósito de furtos. Desta forma, o poder público acaba implementando uma legislação, como a efetivada em Curitiba em 1997, para sancionar o “lacramento completo de portas e janelas, proibindo a entrada de desconhecidos” em imóveis abandonados, visando, neste exemplo, coibir o squat Payoll.


RHBN – Além dos zines, a militância squatter utiliza também as novas tecnologias como forma de divulgar suas atividades?



Cleber: No caso do Movimento Squatter no Brasil, há ainda um certo receio na utilização de tais meios como um veículo de propaganda em favor da causa okupa. Aparentemente, tal desconfiança parece estar ligada a uma precaução face à represália policial, já que o ato de okupar implica em litígios jurídicos que revelam as dicotomias entre o direito à vida e o direito à propriedade, em situações em que se contempla um maior respeito ao direito de propriedade.

RHBN – Além dos embates com o poder público, os squatters enfrentam outros tipos de ataque?



Cleber: A causa squatter é abraçada grandemente por anarco-punks, ou seja, jovens que além de seguirem a cultura punk buscam na política anarquista um mote de embate social em defesa da liberdade, da igualdade e contra o capital, valendo-se da autogestão e da solidariedade. Do outro lado do cenário urbano há os skinheads, por exemplo. Trata-se de um grupo influenciado por ideologias nazi-fascistas. São grupos amparados em perspectivas de luta opostas.


Na defesa de um modelo social conservador, os skinheads praticam ações violentas contra segmentos questionadores destes princípios, entre os quais os squatters. Para se ter uma idéia dos embates entre squatters e skinheads, o squat Payoll de Curitiba foi alvo de duas bombas caseiras em 1998. Um de seus membros foi ainda esfaqueado nas redondezas da ocupação.


quinta-feira, 15 de abril de 2010

1ª Noite Fora do Eixo em Divinópolis/MG


O Coletivo Anti-Herói em conjunto com o Ponto de Cultura de Divinopolis apresenta sua primeira Noite Fora do Eixo que contará com nada mais nada menos que Macaco Bong, além de exposição de poesias do Barkaça e de fanzines do Pulso. O local escolhido para este momento historico foi o Centro de Artes na Praça do Santuário. A primeira Noite Fora do Eixo em Divinópolis/MG terá inicio às 19:00 horas no dia 22 de abril com entrada gratuita a população e por ordem de chegada. Então esperamos todos para compartilharmos este momento histórico.

grande abraço e até lá !!!

sobre o Macaco Bong (Cuiabá/MT):

Macaco Bong é um power trio de Cuiabá (MT), nascido em 2004. A banda é um dos programas do Instituto Cultural Espaço Cubo, e baseia-se na desconstrução dos arranjos da música popular em seus formatos convencionais e aliada à linguagem das harmonias tradicionais da música brasileira com jazz/fusion/pop e etc. Já circulou os principais festivais de música do Brasil (além de Argentina e Canadá), e teve seu cd Artista Igual Pedreiro eleito o melhor de 2008 pela revista Rolling Stone Brasil.

Formação - Bruno Kayapy (guitarra), Ynaiã Benthroldo (batera) e Ney Hugo (baixo). http://www.myspace.com/macacobong

terça-feira, 6 de abril de 2010

Grito Rock América do Sul em Divinópolis

O Grito Rock em Divinópolis começou com o pé direito. Pontualmente às 19h a platéia já se posicionava em uma vasta fila do lado de fora do Teatro Municipal Usina Gravatá. No meio da platéia ansiosa estavam dois mímicos extremamente bem humorados, que distraiam a fila inteira e a desdobrava entre risos e timidez. Quando as portas do Teatro se abriram, a expectativa tomou conta não só do coletivo Anti-Herói, mas também de todos aqueles que ali iriam se apresentar e dos que queriam assistir.


O evento contou com shows de 6 bandas renomeadas regional e nacionalmente, merecendo destaque as bandas 4Instrumental e Letto, que eram bandas praticamente desconhecidas para o povo divinopolitano, e que conseguiram arrancar longos assobios e pedidos de "bis" da platéia. Sem falar de Marcelo Rocha, que abriu o evento encantando o público com sua música e poesia performáticas, Teoria dos Anjos, que fechou o sábado com chave de ouro e uma grande salva de palmas, nosso xodó divinopolitano Pharmacia e o samba enraizado do Capim Seco.


Fora as bandas, o evento contou com a participação de Stand-ups de Mariela e Felipe, desenhos feitos durante o evento pelo artista César Cedro, a exposição dos exemplares do Barkaça em banners e a recitação de poesias por poetas da cidade, numa performance um tanto quanto diversificada: lanternas, escuro e voz em poesia. Além da gravação do programa Música Ambiente, realizada durante o próprio evento.



O evento foi um verdadeiro sucesso e o Coletivo Anti-Herói agradece a presença de todos os espectadores, colaboradoes e artistas. Fica aqui o nosso muitíssimo obrigado e até o próximo evento ;)
Confira as fotos do Grito Rock América do Sul no espaço: http://www.flikr.com/anti_heroi

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

GRITO ROCK AMÉRICA DO SUL 2010 - 2ª edição DIVINOPOLIS


Nos dias 27 e 28 de fevereiro a partir das 18hs será realizado no Teatro Municipal Usina Gravatá em Divinópolis/MG, o Grito Rock América do Sul 20102ª edição Divinópolis. A entrada é GRATUITA e por ordem de chegada, portanto cheguem cedo!

O Grito Rock América do Sul é um festival realizado anualmente e é uma das maiores ações integradas e simultâneas que se tem noticia na musica independente mundial. A edição de 2009 contou com mais de 60 cidades brasileiras, além de Montevidéu (URU) e Buenos Aires (ARG), fazendo deste o maior festival integrado da América Latina. O Grito Rock, maior festival integrado da América Latina, ocorrerá este ano em mais de 70 cidades (incluindo Buenos Aires e Córdoba, ambas na Argentina; Montevidéo, no Uruguai; e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia). Idealizado pelo Circuito Fora do Eixo, maior rede colaborativa de trabalho no mercado independente do Brasil, o Festival, que é realizado desde 2005, prolonga cada vez mais seus tentáculos ao incluir pequenas cidades na rota da turnê de grandes bandas do mercado fonográfico médio.

Embora o nome do evento remeta ao Rock, aporta várias manisfestações artístico/culturais!

Então vamos para a programação:

27/02 (sabado)

4instrumental (sabará/mg)
teoria dos anjos (divinopolis/mg)
marcelo rocha (governador valadares/mg)


28/02 (domingo)

letto (natal/RN)
pharmacia (divinopolis/mg)
capim seco (bh/mg)


e mais poesia, teatro e outras manifestações culturais.
esperamos vcs lá !!!


sábado, 2 de janeiro de 2010

Sobre Ontem, Hoje e Amanhã - dialética no processo de fortalecimento


Estamos chegando ao fim do ano mais estimulante e desafiador dessa grande rede nacional que é o Circuito Fora do Eixo. O quarto ano de luta, articulação, correria, comprometimento, razão/paixão, foco, diversão, erros, acertos, conquistas, perdas e todas as demais dialéticas que um movimento como o nosso pode proporcionar, pessoal, comportamental e estruturalmente. Foi o ano onde cada um de nos se transformou em ponto fora do eixo, assumindo uma forte responsabilidade de nos representar em suas cidades, em seus estados e em suas regiões. Fator este que ajudou muito para que todos se percebessem dentro da historia toda, criassem seus respectivos lastros, suas autonomias e que contaminassem pouco a pouco todo o circuito com o tempero de cada um, com as particularidades de cada pessoa e de cada coletivo.


Saímos de pouco mais de 20 coletivos no inicio do ano e estamos fechando a tampa de 2009 com quase 50. Saímos de uma perspectiva de se montar regionais e finalizamos com 5 regionais solidas e em constante dialogo propositivo. A regional Nordeste, começou o ano com apenas um coletivo, hoje são nove, só faltando o Piauí e o Maranhão. A sudeste crescendo absurdamente com destaque para os estados de minas e São Paulo. A Norte só falta o tocantins para fechar a tampa. A centro oeste fechou a tampa com destaque para o FDE goias. A Sul é a nossa caçula, mas com tanto potencial de crescimento quanto as outras. Conseguimos também viabilizar redes estaduais, com destaque para o Fde Minas e o Fde Goias, dialogando fortemente com as cidades do interior e ditando a tendencia organizacional para os outros estados em 2010.


Ano em que organizamos o Grito Rock America do Sul em 50 cidades do pais, preparando o terreno para os quase 80 gritos que serão realizados em 201a0. Ano em que nossos festivais se fortaleceram ainda mais, Calango, Jambolada, Varadouro, Contato, Quebramar, Novas Tendencias, Pequi, Release Alternativo, Vaca Amarela, Goma Festival, Seda, Feira da Musica de Fortaleza, Ponto CE, Fogo No cerrado, Maionese, Big Bands, Boombahia, entre vários outros.
Ano em que mais de 100 Noites Fora do Eixo Foram realizadas nos mais distantes pontos do país. E que tivemos clareza que não circulamos apenas artistas, jornalistas e produtores , circulamos conhecimento. A economia do Conhecimento gerada pelo FDE é o que nos move nessa batalha, é o que financia nosso BANCO de Estimulo e é o que gera as receitas para o posterior investimento em nosso BANCO do Futuro. Nosso CAIXA COLETIVO é nossa troca de tecnologia, de conhecimento e de estimulo. Ressignificamos a intangibilidade desses conceitos e os transformamos em combustível, material, tangível e altamente explosivo. Transformamos varias ideias e ideais em inteligência coletiva. Valorizamos o processo em detrimento do produto, os Valores em detrimento dos interesses. O indivíduo em detrimento do individualismo. O comportamento em detrimento do mercado.


Ano em que definitivamente pautamos a construção de um sistema nacional de musica independente, transformando coletivos, festivais e casas em uma força política una e umbilicalmente conectada, representadas pelas suas respectivas entidades/movimentos: CFE, ABRAFIN E CASAS ASSOCIADAS. Sistema este que capitaneou e organizou o surgimento da Rede Musica Brasil. E onde tudo começou? Em uma reunião do CFE em recife durante o Porto Musical, contando também com a presença dos parceiros de primeira ordem do MPB-Musica pra baixar e do Fórum Nacional da Música. Rede esta que fez varias reuniões durante o ano e em todas o CFE foi o movimento com o maior numero de participantes, canalizando tudo isso para a realização das Assembleias setoriais da música, coordenada na maioria dos estados por facilitadores do CFE, deixando claro o quão somos hoje o movimento cultural com maior musculatura nacional.


E alem de estrutural/politicamente contribuímos e muito esteticamente. Varias de nossas bandas citadas como revelações de 2009, como apostas para 2010. Ano onde o conceito de Artista Igual pedreiro, defendido fortemente pelo CFE virou um meme nacional, estando este no discurso de 8 a cada 10 bandas que gerenciam bem suas carreiras atualmente. Onde a Agencia Fora do Eixo tomou corpo e conquistou credibilidade suficiente para atrair bandas fora CFE, produtores, jornalistas e etc. Ano em que ficou ainda mais claro que nossa proposta de circulação de bandas novas e com pouca experiência não são cotas política e sim métodos de fortalecimento dos cenários locais, de troca de experiências e de circulação de conhecimento. Bandas novas que saíram para rodar a três anos atras hoje são lideranças fortes em seus coletivos contagiadas pelo banco de estimulo.


Ano em que potencializamos ainda mais nossas rotas, podemos hoje sair de fortaleza e chegar ate rio branco no acre, com 22 shows em 24 dias com somente dois day offs. Sem falar no nordeste, em minas, ou no centro oeste onde podemos rodar varias cidades durante vários dias sem day off nenhum. Fizemos juntos mais de 600 eventos no ano, colocando aproximadamente 2 mil bandas diferentes para se apresentar ou mais especificamente uma media de 8 mil artistas. E preparamos o terreno para mais um ousado projeto capitaneado pelo CFE em parceria com abrafin, Casas e BMA que é o TOQUE NO BRASIL. Que como todos ja sabem, vai auxiliar para que estas mais de 2 mil vagas para shows disponibilizadas pelo CFE mais as vagas em festivais e vagas nas casas possam ser viabilizadas em poucos cliques em um único site. Fazer um site como esse é fácil, difícil é ter as vagas a serem disponibilizadas e com certeza ninguém tem mais lastro que o CFE nesse sentido.


Ano onde a Fora do Eixo Discos realmente achou seu caminho. Desde o inicio do CFE em 2006, tínhamos três premissas principais de trabalho. 1- Circulação 2- Distribuição e 3- Produção de conteúdo. A primeira e a ultima caminharam de vento em popa, e a segunda nunca conseguia
engatinhar. Durante os três primeiros anos sempre foi nosso gargalo, mais complicado de se resolver e nem estou falando que resolvemos completamente, mas com certeza absoluta temos um Norte. Temos o compacto.rec, temos banquinhas em vários coletivos, temos lojinhas, vendas na intenet etc..Uma equipe focada, dedicada, que esta pouco a pouco estudando cada ponto, para entregar no fim de 2010 uma distribuidora que consegue vender/distribuir produtos em mais de 50cidades brasileiras. Difícil quem tem isso a oferecer nos dias de hoje!


Ano em que a nossa equipe de comunicação avançou absurdamente, produzindo mais de três centenas de matérias para o portal, formando correspondentes em quase todos os estados do pais. Onde nossa web radio se tornou uma realidade, ocupando vários espaços, transmitindo festivais ao vivo, reuniões, seminários e construindo uma rede de web rádios e poadcasts pelos coletivos. Onde nossa web tv também deu vários passos, fortalecendo e muito o Audivisual dentro da rede, e canalizando isso em uma grande celebração na SEDA onde a maioria dos agentes do audiovisual do cfe estiveram presentes pensando o planejamento para 2010, sem falar nas experiências bem sucedidas de transmissões ao vivo dos festivais e também das varias twitcams que rolaram por ai. E tudo isso desembocando na lançamento de nossa rede social que em breve estará no ar, deixando nossos trabalhos ainda mais dinâmicos e nossa inteligência coletiva disponibilizada facilmente para todos os que se interessarem.


Ano em que ganhamos o prêmio de mídias livres, onde ganhamos o prêmio do observatório, onde alguns coletivos se transformaram em APLs (Arranjos Produtivos Locais) e pontos de cultura. Onde somente o Fde minas, por exemplo, conseguiu aprovar mais de um milhão de reais em projetos de lei de incentivo no estado. Em que alguns coletivos movimentaram mais de milhão de reais e que todos os nossos coletivos juntos movimentaram aproximadamente 10 milhões de reais, contando festivais, eventos, casas e a sustentabilidade dia a dia de cada coletivo e de cada integrante de coletivo, aluguel, alimentação, transporte, roupa, remédio, etc, etc e etc. E o mais bacana, democratizando todas as planilhas, dando acesso a todos os números. Foi o ano onde muitos coletivos aderiram ao TEC e disponibilizaram todos os seus dados., não existem segredos em nossa CULTURA LIVRE. Fora do Eixo tec é nosso DNA, escancarado. E tudo isso amparado por uma equipe de sustentabilidade que nos apresentou um programa solido de estruturação da rede. Elaborando projetos, participando de editais, sistematizando os relatórios e preparando o terreno para a criação de uma possível Fundação Fora do Eixo, que trabalhara entre outras coisas para fortalecer e muito nossa relação com os fundos internacionais em 2010.


Ano em que colocamos a Economia Solidaria na agenda de prioridades do debate na cadeia produtiva da musica, onde nossas moedas complementares se ampliaram e muito. Vários coletivos implantando seus cards, outros ja mapeando suas planilhas com a intenção também de desenvolver sus moedas, o poder publico investindo no desenvolvimento das moedas, os artistas , jornalistas e demais produtores digerindo melhor o sistema de credito, os coletivos fde entendendo mais a proposta e indicadores e mais indicadores produzidos e sistematizados . Ano em que o Fora do Eixo Card foi utilizado de exemplo bem sucedido eme eventos na china, Japão, Espanha, Angola, Argentina etc e que o FDE recebeu convites para apresentar esse modelo em todos esses países em 2010. E que ficou muito claro que nossas praticas não são de coletivos de música e sim coletivos de Tecnologia Social e de comportamento.


Ano de nosso segundo congresso, no acre, na vibe do acre, no melhor lugar possível para transformarmos os avatares em pele e osso. Um momento único dessa nossa jornada, onde nos encontramos , onde construímos nossa carta de princípios e nosso regimento interno/estatuto/pacto nacional. Documentos esses que estão em fase de maturação, que se desenvolve conforme o nosso desenvolvimento, que amadurece conforme a nossa maturidade e que nada mais é que um espelho, um reflexo dessa nossa inteligência coletiva. Será sempre difícil para nós fecharmos definitivamente nossos documentos, já que somos mutantes, nos ressignificamos a cada nova adesão, a cada novo tópico na lista, a cada encontro presencial. Nos descobrimos como uma grande zona autônoma temporária, que contamina e migra. Uma organização verdadeiramente horizontal, com núcleos decisórios descentralizados, cada ponto, cada estado e cada região com autonomia total , transformando em prática a perspectiva do rizoma.


Milhares de outras coisas aconteceram em 2009, gostaria de citar cada impressão sobre os coletivos, cada detalhe, cada pequeno levante realizado, mas acho bacana que todos vocês complementassem isso tudo, relatassem suas impressões, lembrassem de de outras ações e escrevessem tudo aqui, em nosso banco do presente.


2010 já chega voando, diversos projetos acontecendo , grito chegando, Toque no brasil sendo lançado, reunião das regionais, assembleias setoriais, tudo ao mesmo tempo agora. Do jeito que a gente gosta . Hoje resolvi falar de ontem, porque são as praticas deste ontem é que nos mostram que o Amanhã sera sempre o nosso HOJE , o nosso AGORA. Nosso espaço/tempo é o mesmo do Bolt.......... mãos a obra!